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    IBOVESPA PODE SUBIR 35% SE AÇÕES ATINGIREM PREÇO-ALVO  
15 de Julho de 2010

Uma pesquisa realizada pela Financial Investor Relations (Firb), consultoria de Relações com Investidores, aponta que as ações das empresas brasileiras têm potencial de valorização superior a 35% neste ano caso atinjam o preço-alvo estimado pelos analistas de mercado. Os setores que têm maior potencial de impulsionar o índice são: petroquímica e gás, finanças e seguros, mineração, siderurgia e metalurgia, considerando não apenas a expectativa de valorização, mas também o peso de cada um dentro do índice.

O levantamento, divulgado com exclusividade para a Agência Estado, analisou mais de 600 relatórios de 21 instituições financeiras com os preços esperados para as principais empresas brasileiras. Segundo esta estimativa, o Ibovespa teria potencial de chegar a 86 mil pontos até o final de 2010, valorização de 26% em comparação com o ano passado, quando foram registrados 68 mil pontos.

Como o Ibovespa já caiu cerca de 8% neste ano, para os atuais 63 mil pontos, o índice teria de subir mais de 35% até o final do ano para atingir o preço considerado justo pelo mercado.

Segundo o presidente da Firb, Arleu Anhalt, a pesquisa aponta a tendência para os principais setores e por isso reflete a expectativa de valor considerado justo para as empresas, mas o Ibovespa pode não atingir este valor a depender de outros fatores de mercado. "A previsão mostra o que os analistas consideram em termos de fundamento, mas outros fatores macroeconômicos podem influenciar o mercado", destacou.

De acordo com os analistas considerados no estudo da Firb, o setor com perspectivas mais positivas é o petroquímico e gás, que inclui Petrobras, Braskem, Ultrapar e Ecodiesel, cujos papéis tiveram depreciação média de 20,7% no primeiro semestre. Segundo a Firb, a projeção de crescimento para este setor em 2010 é de 64,7%, considerando os preços-alvo. O setor tem participação de 17,2% no índice, e apresentou uma queda de 20,7% no primeiro semestre deste ano. De acordo com Anhalt, este setor, assim como os demais, foi penalizado pela crise europeia, que trouxe muitas incertezas.

No caso da Petrobras, o acidente na BP também ajudou a derrubar as ações da empresa porque trouxe dúvidas em relação aos riscos no futuro. Nos próximos meses, um fator decisivo para a estatal será sua capitalização, prevista para setembro. "Com a entrada dos recursos, a produção vai crescer e a companhia poderá explorar o pré-sal", afirmou.

Setor financeiro

O segundo setor com melhor avaliação dos analistas é o de finanças e seguros, que tem potencial de valorização de 39,1% em 2010, segundo as projeções. De acordo com um analista contemplado na pesquisa, o setor foi penalizado pela crise na Europa e pelo processo de reforma na regulação bancária nos Estados Unidos, o que justifica a perspectiva de recuperação dos papéis.

O analista, que não quis ter o nome divulgado, destacou que as ações das instituições financeiras são muito líquidas e foram impactadas pela saída de capital da bolsa. "Depois de commodities como petróleo e minério, as ações dos bancos são as mais líquidas do índice", afirmou. No primeiro semestre, os papéis do setor tiveram queda de 8,9%. Sua participação no Ibovespa é de 17,5%.

De acordo com o profissional, a expectativa para o segundo semestre é mais positiva para os bancos porque o crescimento econômico deve aumentar a demanda por crédito, enquanto a inadimplência deve cair. Outro fator positivo é o menor risco País, segundo o analista.

Mineração e siderurgia

As ações dos setores de mineração e siderurgia também estão entre os destaques das projeções do mercado. No caso da mineração, representada pela Vale, a projeção de crescimento chega a 49,2% no ano, ante queda de 8,3% no primeiro semestre. O setor minerador tem peso de 14,4% no Ibovespa.

De acordo com um analista do setor, que não quis divulgar seu nome, os papéis de mineração sofreram com os temores sobre a crise na Europa, que poderia desacelerar o crescimento mundial, e também com as perspectivas de crescimento da China, principal locomotiva da demanda por minério de ferro.

Segundo ele, a economia chinesa continua a crescer a taxas elevadas, mas a um ritmo um pouco mais moderado do que o previsto pelo mercado, o que gerou a queda nas ações. O preço do minério de ferro no mercado à vista na China caiu recentemente para US$ 117 por tonelada, ante um recorde de US$ 195 por tonelada em abril deste ano. Mesmo assim, o preço ainda é duas vezes maior do que o registrado no ano passado.

O analista explicou que as perspectivas ainda são favoráveis para a Vale, uma vez que a relação mundial entre oferta e demanda de minério segue muito apertada, o deve sustentar os bons resultados da mineradora nos próximos meses. "Esperamos uma retomada da demanda industrial na China para o segundo semestre", afirmou.

No caso do setor siderúrgico, que inclui empresas como Gerdau, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Usiminas, os analistas esperam valorização média de 35,8% para o ano. No primeiro semestre, a queda foi de 9,2%. Segundo um dos especialistas do setor consultados pela Firb, este segmento da economia também foi prejudicado pelo cenário externo, que gerou temor sobre queda de preços do aço e maior risco de importações no Brasil. "A demanda interna está aquecida, mas foi o cenário externo que mais afetou os papéis", disse.

Em sua avaliação, este setor também depende de uma recuperação externa para apresentar valorização nas ações. "Tem muita gente achando que os papéis destas empresas estão baratos", disse, o que justifica a perspectiva de alta apontada pelo levantamento. O setor tem participação de 9,5% no Ibovespa.

Outros setores destacados pelo estudo da Firb como os mais positivos são construção (previsão de alta de 38,7% no ano), energia elétrica (19,6%), telecomunicações (41,7%), varejo (20,1%), transporte (39%), alimentos e bebidas (22,9%), logística (41,1%), papel e celulose (29%), sucroalcooleiro (27,9%), veículos e peças (21%) e saneamento (8,5%). O único setor que apresenta tendência de queda das ações é o de tabaco, com previsão de recuo de 8% no ano. No primeiro semestre, o setor apresentou alta de 21,5%. Seu peso no índice é de 0,5%. Confira a seguir a íntegra das projeções:

Perspectiva de Valorização
 Setor   Participação Ibovespa (%)   Valorização até 30/06/10 (%)   Projeção de Crescimento 2010 (%)*   Crescimento Ponderado por Peso do Setor (%) 
Petroq e Gas 17,20 -20,7 64,7 11,1
Financas e Seguros 17,50 -8,9 39,1 6,8
Mineração 14,40 -8,3 49,2 7,1
Siderurgia e Metalurgia 9,50 -9,2 35,8 3,4
Construção 8,40 -14 38,7 3,2
Energia Elétrica 6,50 0 19,6 1,3
Telecomunicações 5,20 -16,5 41,7 2,2
Varejo 4,40 0,1 20,1 0,9
Holding 3,40 -9,3 45,3 1,5
Transporte 2,50 -17,7 39 1
Alimentos e Bebidas 4,00 -0,9 22,9 0,9
Logística 2,30 -18,7 41,1 0,9
Papel e Celulose 2,30 -26,5 29 0,7
Sucroalcooleiro 0,80 -11,8 27,9 0,2
Veículos e Peças 0,90 -1,7 21 0,2
Saneamento 0,40 9,6 8,5 0
Tabaco 0,50 21,5 -8 0

**Projeção de alta desde 31/12/09

Fonte: Agência Estado.

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